O calor era intenso,
Meu coração de Poeta batia forte
Como se quisesse me dizer
Que algo de sujo estava para
acontecer.
Nesta noite de um forte verão
carioca,
O Rio estava inquieto,
O Cristo Redentor lá no alto do
Corcovado
Derramava lágrimas de sangue
Antecipando a todos, a sua
enorme dor.
O morro estremecia de pavor
Entre balas perdidas que cruzavam
o Céu
Num tenebroso espetáculo de
guerra urbana
Onde a morte chega,
impiedosamente
No coração de uma criança que
ainda nem nasceu
Soldados tombam em combate,
Famílias desesperadas de dor
Bandidos invadem praças que
eram do povo
Matando o Rio,
Rio, a cidade do meu amor.
Estrelas sem brilho, num Céu sem
o Azul,
Um Céu, que nunca ninguém
sonhou.
De repente, as ondas em soluços
de um Mar revolto,
Babavam a areia da praia com suas
espumas
Num gemido de dor.
As Gaivotas sumiram no Céu
E a Rosa de Cartola chorou,
Tudo por que, lá na cidade,
Uma bala certeira,
A cabeça de uma mulher guerreira,
Lá do morro,
no asfalto quente,
Seu sangue derramou.
O poeta pede paz,
o poeta pede amor,
O poeta pede piedade,
Pra todas as Marielles,
Que o crime perverso, matou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário