Francisco
Paulo Mignone (São Paulo SP 1897 - Rio de Janeiro RJ 1986). Compositor,
pianista, regente, professor, flautista. Inicia os estudos musicais com
o pai, o imigrante italiano Alfério Mignone, professor de flauta do
Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP), músico de
orquestra e regente. Com cerca de 10 anos, começa a estudar piano com
Silvio Motto. Aos 13, passa a atuar como flautista e pianista condutor
em orquestras de cinema. Também integra grupos de choro e compõe canções
populares, assinando como Chico Bororó, pseudônimo que abandona após
1914.
Ingressa no CDMSP em 1912, e cinco anos mais tarde obtém os diplomas
de flauta, piano e composição, tendo sido aluno de Savino de Benedictis
(harmonia) e Agostino Cantu (harmonia, composição e contraponto). Ao
longo do curso, exibe-se frequentemente como solista ao teclado. Em
1918, apresenta suas primeiras obras sinfônicas, cujo êxito lhe rende a
bolsa de estudos com a qual parte em 1920 para a Europa, onde permanece
por nove anos.

Em Milão, estuda compositor italiano Vincenzo Ferroni (1858 - 1934),
ex-aluno do compositor francês Jules Massenet (1842 - 1912) no
Conservatório de Paris, que o introduz nas técnicas composicionais
francesas bem como na tradição operística italiana. Com orientação do
mestre italiano, compõe a ópera em três atos O Contratador de Diamantes,
1921, cujo libreto, de Gerolamo Bottoni, inspira-se no drama homônimo
de Afonso Arinos. Estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1924,
e é bem recebida pelo público e pela crítica, especialmente a cena que
mostra uma congada. Isso o encoraja a escrever sua segunda ópera,
L'Innocente,
concluída em 1927 e apresentada no Brasil no ano seguinte. Entre 1927 e
1928, realiza andanças pela Espanha, cujas sonoridades lhe inspiram
algumas composições, como
Suíte Asturiana.
De volta a São Paulo, em 1929, torna-se professor do CDMSP e se
aproxima das propostas nacionalistas do ex-colega de conservatório Mário
de Andrade, de quem se torna grande amigo. Um ano depois, grava em solo
de flauta suas peças
Num Vorto a Pé,
Cantiga de Ninar e
Contratador de Diamantes.
Em 1932, casa-se com Liddy, filha do professor de piano Luigi
Chiaffarelli. No fim do ano, muda-se para o Rio de Janeiro, e passa a
lecionar no Instituto Nacional de Música.¹ Ali desenvolve importante
carreira docente, formando regentes e compositores que se destacam no
meio musical brasileiro, como Roberto Duarte e Ricardo Tacuchian.
Registra ao piano dois tangos brasileiros de Ernesto Nazareth, Duvidoso e
Brejeiro, em 1939. Em 1951, assume a direção do Teatro Municipal do Rio
de Janeiro e, em 1965, integra a Academia Brasileira de Música, que
preside entre 1980 e 1985.
Na década de 1950, escreve para cinema, compondo as trilhas de
Caiçara, 1950, e
Menina Moça, 1951, ambos de Alberto Cavalcanti. Em 1959, recebe o Prêmio Saci de melhor composição por
Sob o Céu da Bahia, 1957, de Ernesto Remani.
Um ano após a morte de Liddy, casa-se, em 1963, com a pianista
paraense Maria Josephina, com quem desenvolve frutífera parceria em
recitais a quatro mãos, incluindo um duo pianístico sobre a obra de
Ernesto Nazareth, lançado em 1978. Segue atuando como regente e pianista
até pouco antes de sua morte, que ocorre em 1986.