quarta-feira, 12 de maio de 2021

COVID LEVA O COMPOSITOR MONGOL

 


Morreu ontem, terça, 11, no hospital da Fiocruz, no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Arlindo Carlos da Silva Paixão, o Mongol, aos 64 anos. Seu corpo será cremado no sábado, 15 – a família aguarda a chegada de um dos três filhos de Mongol, Igor, que vive em Berlim, na Alemanha, para a cerimônia (era pai também de Rana e Ian, do casamento com Deborah Turturro). Internado com Covid-19 há apenas 15 dias, Mongol não resistiu à doença. Ele não tinha comorbidades e praticava exercícios físicos cotidianamente, caminhando de 5 a 9 km todo dia.

Mongol passou a ser conhecido nacionalmente por conta de sua parceria com o cantor Oswaldo Montenegro, nos anos 1980. Um dos seus maiores sucessos populares foi a canção Agonia, de Mongol, com a qual Montenegro ganhou o festival de MPB da Rede Globo em 1980. Eles trabalharam juntos desde a adolescência. Mongol tinha 15 anos quando compôs Aquela coisa toda, que virou tema de novela da Globo. Suas canções foram gravadas por Zizi Possi, Ivete Sangalo, Deborah Blando, Alexandre Pires, Simonny, entre outros.

Mongol tinha começado recentemente um projeto pedagógico no Instituto Reação, de Flávio Canto, na UniRio, no qual trabalhava com crianças da Rocinha, de 4 a 9 anos, usando a música como instrumento de alfabetização (algo inédito na instituição). E seguia produzindo música com intensidade. Em janeiro, no Festival Canto dos Araçás de música online, ele inscreveu a canção Canto para Oyá, que ganhou como Melhor Letra. Também foi premiado  recentemente num concurso ibero-americano de roteiros inéditos e venceu o primeiro concurso de roteiros cinematográficos encabeçado por Aguinaldo Silva com o projeto Cortiço Brasil.

Com Oswaldo Montenegro, integrou o grupo de atores, músicos, instrumentistas que se denominavam “Os Menestréis”. Passou a trabalhar em musicais como ”A Dança dos Signos” (marcante trabalho de Oswaldo Montenegro, de 1982), “Léo e Bia” e “Aldeia dos Ventos” e também fazia shows solo de humor e música. Também foi parceiro de Milton Guedes, Zé Alexandre, entre outros.

Agonia venceu o Festival da Nova Música Popular, realizado pela Rede Globo de Televisão em 1980, e tornou-se um hit massivo. Seguiram-se muitos outros sucessos, como Estrela de Néon, A Vida Quis Assim,  Sempre Não É Todo Dia, Taxímetro, A Dama do Sucesso, Lume de Estrelas, Coisas de Brasília.  No teatro, trabalhou em peças como O Rei do Mau Humor, Vampiro Doidão, fez a trilha dos musicais João Sem Nome e Brincando Em Cima Daquilo, com Marília Pêra.

Em 1997, Mongol experimentou outro hit massivo com a banda Akundum, que liderava, e sua canção Emaconhada (consta que vendeu mais de 200 mil discos e levou a banda a fazer 200 shows). O Akundum acabou abrindo shows da banda jamaicana Inner Circle.

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