domingo, 13 de julho de 2014

POEMAS DE IVAN JUNQUEIRA

Tristeza
Esta noite eu durmo de tristeza.
(O sono que eu tinha morreu ontem
queimado pelo fogo de meu bem.)
O que há em mim é só tristeza,
uma tristeza úmida, que se infiltra
pelas paredes de meu corpo
e depois fica pingando devagar
como lágrima de olho escondido.
(Ali, no canto apagado da sala,
meu sorriso é apenas um brinquedo
que a mãozinha da criança quebrou.)
E o resto é mesmo tristeza.
(de Os Mortos)
Elegia Íntima
Minha mãe chorando no fundo da noite
rachou o silêncio do quarto adormecido.
Meu pai olhava o escuro e não dizia nada,
Um relógio preto gotejava barulho.
Lá fora o vento lambia as espáduas do céu.
Minha mãe chorando no fundo da noite
Apunhalou o sono de Deus.
(idem)
Madrigal
Azul e pontual,
o céu acordou:
cada aurora
em seu horizonte.
Mas a pergunta,
Como um gládio
em riste, cravou
seu aço no vazio
— e lá, imóvel, ficou
esperando a resposta
que não raiou.
(idem)
Hoje
A sensação oca de que tudo acabou
o pânico impresso na face dos nervos
o solitário inverno da carne
a lágrima, a doce lágrima impossível...
e a chuva soluçando devagar
sobre o esqueleto tortuoso das árvores
(idem)
Haicai
Na gaiola jaz
o pássaro
sem espaço
(de Opus Descontínuo)
O Poema
Que será o poema,
essa estranha trama
de penumbra e flama
que a boca blasfema?
Que será, se há lama
no que escreve a pena
ou lhe aflora à cena
o excesso de um drama?
Que será o poema:
uma voz que clama?
Uma luz que emana?
Ou a dor que algema?
(de A Sagração dos Ossos)
 
 
 
 
Talvez o vento saiba

Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas não transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.
As sereias que ouvi não mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a infância teceu entre sargaços
as agulhas do tempo já não bordam.
Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por inúteis, não concordam
sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.
(de Poemas Reunidos, Ivan Junqueira, Ed. Record, 1999)
JUNQUEIRA, Ivan. A sagração dos ossos (1980-1993). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994. 124 p. 14x21 cm. Capa: Victor Burton. ISBN 85-200-0293-5 Col. A.M.

POESIA BRASILEIRA PERDE IVAN JUNQUEIRA

O Acadêmico, poeta e tradutor Ivan Junqueira, sexto ocupante da Cadeira nº 37, da Academia Brasileira de Letras, faleceu aos 79 anos, no dia 3 de julho de 2014, de insuficiência respiratória, no Hospital Pró-Cardiaco, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde estava internado há mais de um mês.

Ivan Junqueira nasceu no dia 3 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro. Cursou seus primeiros estudos na cidade natal e ingressou nas faculdades de Medicina e de Filosofia da então Universidade do Brasil, onde foi professor de História da Filosofia e de Filosofia da Natureza.

Em 1963, começou a trabalhar também como jornalista nas funções de redator e de subeditor dos principais jornais do Rio de Janeiro, entre eles Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além de ter sido editor executivo da revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional.

Em 23 de junho de 2005, participou em Paris da sessão conjunta da Academia Brasileira de Letras e da Académie Française, ocasião em que lhe foi concedida a Medalha de Richelieu, a mais alta condecoração daquela instituição. Sua poesia já foi traduzida para o espanhol, alemão, francês, inglês, italiano, dinamarquês, russo, turco, búlgaro, esloveno, provençal, croata e chinês.

O Acadêmico, ex-Presidente da Academia Brasileira de Letras, completaria 80 anos em 3 de novembro. Em comemoração, a Editora Rocco estabeleceu o lançamento de dois de seus livros inéditos: Essa música, poemas, ainda este mês; e Reflexos do sol-posto, coletânea de ensaios, em outubro. Eles também são parte da celebração dos 50 anos da estreia na de Ivan Junqueira na literatura. A Editora Nova Fronteira programou a edição de bolso da premiada tradução dos poemas de T. S. Eliot, de 1981, que mereceu dez edições. Outras obras do Acadêmico, como O outro lado (poesia, Record) e Testamento de Pasárgada (Global), antologia crítica sobre Manuel Bandeira, também estão no prelo para ganhar novas edições.

I ENCONTRO DOS BIBLIOTECÁRIOS CATALOGADORES DE ACERVOS DE MÚSICA NO BRASIL

I Encontro dos Bibliotecários Catalogadores de Acervos de Música no Brasil - GBICAM, que acontecerá no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias – SNBU
Contamos com a presença de todos os bibliotecários de música!

Data: 16 de novembro
Horário: 14 às 18 horas
Público: 25 bibliotecários
Local: Albita (sala M).

Informações no site: https://www.bu.ufmg.br/snbu2014/

MENINOS DE KICHUTE, FILME EM CARTAZ

O filme Meninos de Kichute, baseado em livro do nosso amigo Márcio Américo está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

Em Londrina, está há 5 semanas no Cine do Shopping Royal Plaza.

Sucesso merecido e vida longa ao longa metragem nacional.



SHOW DE CALOUROS DA RÁDIO BRASIL SUL

O show de calouros da Rádio Brasil Sul retorna no sábado, 19 de julho.

A apresentação é do jornalista Barbosa Neto.

O júri é composto por Denise Numata, a dupla Gabriela & Raphaella, Aldo Moraes, Tânia (Mundo do sabor) e Alberto Neto.

Você pode ouvir o programa a partir das 13:30 hs pelo site ou pela rádio:

AM 1.290

www.radiobrasilsul.com.br


SITE DE GUILHERME ARANTES


COPA 2014: BRASIL E A DERROTA COM SABOR DE DERROTA...

FIM DE JOGO

A cortina dos gramados se fecha e o Brasil é o quarto melhor do mundo.

Um feito que não acontecia desde 2002 quando foi campeão. Em 2006 e 2010, foi eliminado antes das semifinais.

Para efeitos de estatística e história oficial, o Brasil é o quarto melhor time do mundo na Copa 2014 e Neymar está entre os jogadores eleitos pela FIFA como os melhores do mundial.

Mas a cortina dos gramados se fecha para o Brasil e se abre para Holanda, Argentina e Alemanha.

A Holanda que ainda espera um título e que hoje venceu o Brasil por 3 a 0.

E Alemanha & Argentina amanhã se duelarão e entrarão para a história como as 2 melhores seleções do mundo na segunda Copa organizada pelo país do futebol.

Para o orgulho e a emoção brasileira ficaram a dor no peito e a sensação de fracasso diante das 2 derrotas do Brasil na fase final do torneio.

E a angústia de ver a cortina se fechar e torcer para que o fracasso não se amplie. Não se trata apenas de números mas de ver os jogadores perderem sem luta e sem garra, sem tática e sem estratégia.

Não é fatalidade e nem surpresa.

É derrota com sabor de derrota!

Aldo Moraes

composermoraes@hotmail.com