sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A LUTA PELA PERMANENCIA DA LINGUA KADIWÉU

A língua Kadiwéu está entre os sistemas linguísticos mais singulares do Brasil, tanto pela sua complexidade quanto pela forma como expressa modos específicos de narrar, organizar relações e transmitir saberes. Ainda assim, educadores e lideranças apontam sinais consistentes de enfraquecimento no uso cotidiano do idioma, especialmente entre jovens e adultos. Na aldeia Alves de Barros, a mais populosa, menos de um terço da população ainda fala a língua Kadiwéu. Nesse contexto, o português tem se tornado predominante em diferentes situações do dia a dia, enquanto práticas tradicionais de ensino informal, dentro das famílias e da convivência comunitária, deixam de ocorrer com a mesma frequência. Um dos pontos que torna esse processo ainda mais sensível é a existência de formas femininas e masculinas de fala, aspecto estruturante do idioma. Quando a transmissão entre gerações se enfraquece, não se perde apenas vocabulário: perde-se também uma organização interna da língua que depende de uso, escuta e aprendizado continuados. Lideranças e educadores destacam que o problema não se resume à diminuição de falantes. Há também uma lacuna de recursos educativos que respeitem as regras, a complexidade e a lógica própria do idioma. Sem materiais adequados e estratégias de ensino consistentes, a escola tende a enfrentar limites para apoiar o fortalecimento da língua. Diante desse cenário, iniciativas educativas tornam-se fundamentais. Fortalecer a língua é sustentar a memória coletiva, ampliar o reconhecimento cultural e garantir continuidade entre gerações.

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